domingo, 16 de setembro de 2012

Eu vi um homem sentado num banco coletivo
de um transporte coletivo
que andava numa rua coletiva
de uma cidade coletiva
num mundo coletivo.
Mas de coletivo, tudo em volta, só tinha o nome.
Esse homem a nada tinha direito, mesmo sendo direito
na melhor das hipóteses ele tinha direito de viver
e de suar para conquistar o mínimo dos outros
seu máximo de cada dia

o sustento, o sustento
aos oito anos sua jornada começou
pelo sustento, o sustento
em busca do sustento, nem a família restou
Cada um por si, cada criatura q encontre seus ossos e carnes
e que se refaça, com a benção Deus
Os demais homens sentam ao redor
assistem à carnificina dos seus sonhos
brutalmente derrotados pelo asfalto do chão
pela moeda do cidadão
pelos gritos dos concorrentes,
entre o tumulto e a competição
o verde de seus olhos se ausentam
secam, caem as folhas
Mas o brilho do sol ainda está lá
e ele queima, no fundo de seus olhos se reflete
e o brilho da alma, sim, ele ainda está lá
no fundo de seus olhos ele queima, queima
Em busca do sustento
o homem esqueceu-se de toda a correria
perdeu-se nos olhos daquela menina
colocou-lhe um sorriso nos lábios
e com uma lembrança a presenteou.
A água, dos olhos da menina, jorrou
Quem sou eu para acalentar as almas doces deste mundo?

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