sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sobre a morte

Por mais reflexões que eu faça sobre a morte, por mais que pareça óbvio que ela é inerente à condição humana, por mais que eu tenha superado ou ao menos "superado" algumas mortes ao longo da vida, a cada novo episódio desses um novo sentimento de revolta me invade. Não entendo, realmente não entendo, mas é assim! É quando me dou conta de que, por mais que eu saiba também que a morte não espera o momento propício para acontecer, ou seja, ela não pergunta se vc está pronto para acompanhá-la, apenas vem e toma de assalto, reluto a aceitar. E posso dizer q sempre vem de surpresa, sempre, já que mesmo em estágios terminais de doenças sabemos que a morte ocorrerá provavelmente em breve, mas não temos certeza disso e muito menos do quão breve, de quanto tempo se tem.

Estou aqui pensando em tudo isso pois recentemente tomei conhecimento da morte de uma conhecida, que estava muito doente, mas que eu não esperava que morresse... e, já que sempre a vi tão alegre e empolgada com tudo, ou, até mesmo em momentos desagradáveis, a via sempre agitada e pulsante, mal poderia imaginá-la dormindo com serenidade e agora tive a sensação de que precisava imaginá-la morta, para elaborar o fato de que jamais iria vê-la, e me parece muito estranho... senti a mesma sensação que tive com relação a morte de meu pai, de que ela deveria levantar-se do caixão e voltar a viver. E se enterram a pessoa e ela volta à vida debaixo da terra?! rsrsrs

Sei que parece loucura, mas quem já perdeu alguém próximo talvez entenda como é difícil aceitar a fragilidade e imprevisibilidade da vida... Qualquer pessoa próxima de vc pode morrer, a qualquer momento. Repito: A QUALQUER MOMENTO!!! Um enfarte fulminante, um acidente, um AVC, um Câncer... Qualquer coisa pode acontecer, a qualquer momento. E esta angústia, este desamparo, é factual. Talvez seja legal pensar sobre isso como uma condição para vivermos a vida com intensidade, aproveitando cada segundo, aproveitando cada tempinho que temos com cada pessoa amada... sim, claro! Concordo que sem a imprevisibilidade da morte não haveria a possibilidade dessa maravilha de não adiarmos a vida. Mas é sofrido e doloroso por demais... parece que não há um chão em que pisar.

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